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letrinhas
"Ler transmite novos conhecimentos, risota, perguntas, alegria e diversão! Ler desperta-nos para o mundo,para o que nos rodeia! Ler é fazer parte da história e sonhar com ela quando nos deitamos numa cama fofinha e fechamos os olhos. Ler é bom!" Moika

Ía eu directa ao armário dos materiais, quando de repente, olho para o lado e vejo os miúdos todos sentados no tapete.
“Móita? Vais buscar livros?”,perguntou a menina mais velha e, também, a mais amiga de todos.
“Pensava que não queriam ler agora. Ainda há pouco vos contei duas histórias! Não estão cansados!?” – perguntei eu ingenuamente…
“NNNNÃÃÃÃOOOO!!!!!!” – responde a menina meiga e a menina saltitona. Os outros riem-se.
“Então … qual o livro que querem ler?” – pergunto eu já com a resposta mais do que sabida.
“É o nique má!” – responde o menino que anda embeiçado pelo livro.
“Hum…mesmo? Não querem ver outro? Qualquer coisa nova? Não? – digo eu na tentativa de uma nova aventura.
“Não!!! Oh Móita? O T. quer o Piquiniqui do Tomá!!” – responde-me com prontidão a menina mais velha, que também é tão amiga de todos.
“Sai um Piquenique do Tomás! Quem vai ler? – pergunto eu.
“Lês tu, Móita. Lês? Eu depois faço-te o jantar!” – diz-me com toda a ternura do mundo, a tal menina mais velha e tão amiga de todos.
“ Eu acho que seria tão giro a nossa saltitona ler a história!!! Querem!!??” – eu lançando a saltitona para o circo de feras.
“Oh, oh, oh Moika. Eu não conxigo.” – diz-me ela com o seu melhor sorriso.
“Então … mas eu … eu … também não sei ler! Como vamos fazer agora!?” – digo eu abrindo muito os olhos, mas divertida.
Todos lançam uma sonora gargalhada.
“Tu xabes, Móita! “ – diz logo a menina mais velha que é … vocês sabem.
“Não sei! Querem ver!?” – e começo a ler algo parecido com russo roçando o chinês.
A risota é geral e a saltitona cede.
“Dá cá, Moika! Eu leio.” – diz a saltitona tão segura de si.
“Palminhas para a saltitona!!” – digo eu a gritar, porque as palmas anteciparam-se às minhas palavras.
“Eia uma vex um niqui do Tomá. Iam levá muitas coixas. A boula, as baxadeiras. e mais, Moika?” - pergunta a nossa narradora tão atrapalhada.
“Alguém quer ajudar a saltitona?” – peço eu.
“Xim!! E quéime, os bouos, o quéime, os bouos, o quéime,…” – responde o menino embeiçado pelo niqui.
“Hum…eu acho que eles iam nadar…não sei bem aonde. Onde seria? – pergunto eu.
“No piqueno lago!” – grita a menina mais velha.
“Boa! Costumamos tomar banho vestidos?” – digo eu a olhar para o ar de admiração da nossa bebezoca.
“Não, Móita! Vamos de fato de banho! Não é, Móita?” – responde ela segura do que diz.
“Pois claro que é! Vocês já sabem tantas coisas…estão uns crescidos!” – digo eu tão orgulhosa.

Terminada a história. Dou-lhes o livro para explorarem, mexerem, babarem, sorrirem, enfim, para sentirem…

Mónica Semedo, Educadora de Infância

«Nada substitui o livro, com a sua capa, as suas imagens, a sua história, as suas referências e até aquela “sensação" inconfundível que os livros nos trazem quando lhes pegamos e os folheamos com os dedos.»Prof. Eduardo Marçal Grilo

Existe um jogo que começa assim: "A história que vos vou contar passa-se neste lugar, bem gostaria eu que ela vos pudesse encantar...". Sugiro que este seja o nosso jogo, o jogo mágico do mundo das histórias de encantar...

Era uma vez... a fórmula mágica mais consagrada para começar a ler uma história, porque não tem tempo, nem espaço e dá-nos a liberdade de dar asas à nossa imaginação e deixá-la partir para o lugar mais remoto. Ao lermos um livro a uma criança, muitas das vezes esquecemo-nos que não o estamos a fazer com adultos, e, por isso, temos de encarnar o papel de contador de histórias, para que o tempo em que se lê seja maravilhoso e encantador.

Para que a hora de ler a história seja agradável e divertida, basta seguir algumas destas dicas...

• Proporcione um ambiente calmo sempre que ler uma história, desta forma, a criança que o vai ouvir ficará sereno e tranquilo.
• Sempre que possível sente-se ao nível da criança ou coloque-a ao seu colo num local confortável, para que a hora de ler a história seja agradável
• Escolha um livro que agrade à criança.
• Movimente o corpo e seja expressivo.
• Use uma entoação de voz atractiva, faça suspense, expresse os seus sentimentos, fale baixinho quando algo importante vai acontecer.
• Utilize ruídos (onomatopeias) quando a história o permitir (Au,au! Miau,miau! Truz, truz ! Etc).
• Explique, sempre que necessário, o significado de palavras que a criança não entenda.
• Converse com a criança sobre a história que acabaram de ler.
• Repita a história as vezes que forem necessárias.

Boas Leituras!
Mónica Semedo, Educadora de Infância

  

"Alimentar o imaginário da criança é desenvolver a função simbólica com textos, imagens, sons."Jean Paul Sartre

Desde crianças que ouvimos os nossos pais, avós, amigos ou familiares contarem-nos histórias de encantar em noites sem fim...contavam-nos histórias que tinham na memória, ou mesmo inventadas no momento, inspirados numa formiga que por ali passava perto.

Talvez por, na nossa infância, não existirem muitos livros infantis, a mensagem era passada de boca em boca e todos tinham o hábito de contar uma história. Sentávamo-nos num colinho quentinho e brincávamos com os dedos do nosso contador de histórias, enquanto sonhávamos e viajávamos com o que estávamos a ouvir...muitas vezes adormecíamos embalados por aquelas tão belas palavras...

Nos dias que correm, os livros infantis abundam nas nossas casas e o contar histórias foi desaparecendo, certo é que os colinhos quentinhos perduram e para lhes fazer companhia existe sempre um livro do agrado da criança dando-lhe segurança, porque sabe que tem ali um amigo que a faz fantasiar e imaginar mil e uma aventuras em que gostaria de entrar.

Mas se não temos o hábito de ler ou de contar histórias, qual o melhor caminho a seguir? Ambas as situações são muito importantes e válidas para estimular a criança para a leitura. Porque vai proporcionar-lhe momentos agradáveis e de grande cumplicidade com o colinho quentinho do seu contador de histórias e com os livros em geral.

Para o adulto que não está habituado a lidar com histórias, ler uma é mais fácil, fá-lo sentir-se muito mais seguro e capaz de fazer passar a mensagem ao pequenino que a ouve, e das próximas vezes que o fizer, vai ser tão natural que aquele receio inicial vai desaparecer e nunca mais se vai lembrar dele. Alguns autores defendem que contar uma história à criança dá mais liberdade a quem o faz, porque pode modificar o enredo da história consoante a reacção de quem a ouve, sem no entanto, a alterar. Mas se a lermos vamos passar à criança um modelo de leitor, como deve manusear um livro, desenvolvendo o prazer de ler e o sentido do valor pelo livro.

Claro que ambas as situações são importantes e não nos podemos deixar assustar pelo papão de não termos jeito para contar histórias...coragem!

Mónica Semedo, Educadora de Infância

 

"O acto de imaginação é um acto mágico. É um sortilégio destinado a fazer surgir o objecto em que se pensa, a coisa que se deseja, de forma a dela se apossar."Jean Paul Sartre

Quem não se lembra de em pequenino gostar que lhe lessem histórias horas sem fim sem nunca dar sinal de cansaço ou de aborrecimento…transportavam-nos a um imaginário sem fim, onde tudo acabava em bem.

Quase sempre recordamos um avô ou alguém familiar que nos contava mil e uma peripécias antes de irmos dormir, de preferência à frente duma fogueira acolhedora e quentinha. Estes eram os serões de antigamente de quem vivia no campo. Mas também na cidade se vivia o espírito de contar histórias antes de ir dormir, talvez aconchegados no quentinho dos lençóis as crianças sonhavam com as suas histórias preferidas.

Nos nossos dias o não ter tempo para nada, apoderou-se da hora de contar histórias e essa prática foi perdendo-se por entre caminhos pouco claros. Hoje em dia poucas crianças têm o privilégio de ouvir histórias em casa, contadas pelos pais ou familiares próximos.

Esquecemos muitas vezes que através das histórias a criança forma o gosto pela leitura, enriquece o seu vocabulário, amplia o mundo de ideias e conhecimentos desenvolvendo a linguagem e o pensamento.

As histórias estimulam a atenção, a memória, cultivam a sensibilidade e isso significa educar o espírito, ajudam por vezes a resolver conflitos emocionais e, tão importante, estimulam o imaginário da criança.

Como recurso pedagógico a história abre espaço para a alegria e o prazer de ler, compreender, interpretar a si próprio e à realidade, por isso, vamos começar a ler mais histórias às nossas crianças.

Boas leituras!

Mónica Semedo, Educadora de Infância