Devemos ler ou contar uma história?
"Alimentar o imaginário da criança é desenvolver a função simbólica com textos, imagens, sons."Jean Paul Sartre
Desde
crianças que ouvimos os nossos pais,
avós, amigos ou familiares
contarem-nos histórias de encantar em
noites sem fim...contavam-nos
histórias que tinham na memória, ou
mesmo inventadas no momento,
inspirados numa formiga que por ali
passava perto.
Talvez por, na nossa infância, não
existirem muitos livros infantis, a
mensagem era passada de boca em boca
e todos tinham o hábito de contar uma
história. Sentávamo-nos num colinho
quentinho e brincávamos com os dedos
do nosso contador de histórias,
enquanto sonhávamos e viajávamos com
o que estávamos a ouvir...muitas
vezes adormecíamos embalados por
aquelas tão belas palavras...
Nos dias que correm, os livros
infantis abundam nas nossas casas e o
contar histórias foi desaparecendo,
certo é que os colinhos quentinhos
perduram e para lhes fazer companhia
existe sempre um livro do agrado da
criança dando-lhe segurança, porque
sabe que tem ali um amigo que a faz
fantasiar e imaginar mil e uma
aventuras em que gostaria de entrar.
Mas se não temos o hábito de ler ou
de contar histórias, qual o melhor
caminho a seguir? Ambas as situações
são muito importantes e válidas para
estimular a criança para a leitura.
Porque vai proporcionar-lhe momentos
agradáveis e de grande cumplicidade
com o colinho quentinho do seu
contador de histórias e com os livros
em geral.
Para o adulto que não está habituado
a lidar com histórias, ler uma é mais
fácil, fá-lo sentir-se muito mais
seguro e capaz de fazer passar a
mensagem ao pequenino que a ouve, e
das próximas vezes que o fizer, vai
ser tão natural que aquele receio
inicial vai desaparecer e nunca mais
se vai lembrar dele. Alguns autores
defendem que contar uma história à
criança dá mais liberdade a quem o
faz, porque pode modificar o enredo
da história consoante a reacção de
quem a ouve, sem no entanto, a
alterar. Mas se a lermos vamos passar
à criança um modelo de leitor, como
deve manusear um livro, desenvolvendo
o prazer de ler e o sentido do valor
pelo livro.
Claro que ambas as situações são
importantes e não nos podemos deixar
assustar pelo papão de não termos
jeito para contar
histórias...coragem!
Mónica Semedo, Educadora de
Infância











